Geração Z enfrenta solidão sem precedentes aponta executiva de app de namoro
A Geração Z está experimentando um nível de solidão inédito, segundo Jackie Jantos, CEO do aplicativo de relacionamento Hinge. Em entrevista recente a VEJA em São Paulo, Jantos discorreu sobre a crise que assola a categoria de apps de namoro, marcada pela exaustão digital e pela superficialidade, e apresentou a estratégia da empresa focada na “intencionalidade” para o mercado brasileiro.
O cenário dos aplicativos de relacionamento mudou drasticamente, e os produtos oferecidos não acompanharam a evolução. Os jovens, em particular, vivenciam seus relacionamentos de maneira distinta, buscando se encontrar e iniciar conexões de forma diferente do que ocorria anos atrás. Essa transformação motivou o Hinge, que tem como lema “feito para ser deletado”, a reorientar seu foco estratégico para as necessidades da Geração Z.
Jackie Jantos ressaltou que a juventude atual enfrenta desafios significativos, sentindo-se mais isolada e solitária do que qualquer geração anterior. Há uma menor experiência em interações presenciais e barreiras crescentes para conhecer pessoas sem a intermediação de dispositivos digitais.
Foco na Geração Z e a busca por conexões autênticas
A executiva, que possui vasta experiência na intersecção entre marcas globais, cultura e tecnologia, explicou que focar na próxima geração permite que a empresa evolua junto com as necessidades de relacionamento. A Geração Z, com sua maior fluidez e diversidade, demanda uma experiência mais aberta, e atender a esse público cria um ambiente mais inclusivo para todos.
O Hinge se diferencia por seu objetivo de levar os usuários a ter um encontro real, com o slogan “feito para ser deletado”. Essa filosofia permeia todo o processo, desde o cadastro até as mensagens, visando gerar “bons encontros”. A métrica principal do aplicativo são justamente os encontros bem-sucedidos, com pesquisas enviadas aos usuários para avaliar a experiência.
“Focar nos resultados dos usuários é uma anomalia nesta categoria, mas tem garantido nosso crescimento constante, mesmo com o setor em declínio”, afirmou Jantos, destacando que o sucesso em fazer pessoas se conectarem de forma significativa gera crescimento e receita como consequência.
Inteligência Artificial como aliada na formação de laços
A Inteligência Artificial desempenha três papéis cruciais no Hinge. Primeiramente, aprimora o sistema de recomendação, auxiliando usuários a criarem perfis mais ricos com fotos e respostas a perguntas “quebra-gelo”. A IA sugere melhorias para tornar as respostas mais específicas, alimentando o algoritmo para encontrar parceiros com maior probabilidade de compatibilidade.
Em segundo lugar, a tecnologia é utilizada para reforçar a confiança e a segurança. Um exemplo é a IA que questiona o usuário caso identifique uma resposta potencialmente ofensiva, incentivando a reescrita. A moderação de conteúdo, tanto automatizada quanto humana, também se beneficia dessa aplicação.
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Clique aqui e Saiba maisPor fim, a IA atua na orientação dentro do aplicativo, ajudando os usuários a se expressarem melhor e a iniciarem conversas mais envolventes, facilitando a conexão genuína entre as pessoas.
Expansão para o Brasil e planos futuros
A visão do Hinge para o Brasil é ambiciosa. Após consolidação em mercados de língua inglesa e expansão pela Europa, a América Latina, com México e Brasil à frente, representa um foco estratégico para usuários da Geração Z que buscam relacionamentos intencionais. O mercado brasileiro é estimado em cerca de 4 milhões de usuários, com uma demanda clara por um aplicativo que priorize intencionalidade e segurança.
Jantos destacou que a Geração Z brasileira compartilha os desafios globais de solidão e barreiras para encontros presenciais, com a pandemia agravando a situação. No entanto, o Brasil apresenta particularidades locais, como uma vibrante economia de criadores e uma rica dinâmica de relacionamentos.
“É um mercado apaixonado, onde romance e relacionamento de longo prazo importam. Além disso, é um público LGBTQIA+ muito dinâmico, para o qual nosso produto foi desenhado”, disse a CEO.
O aplicativo foi lançado no Brasil em novembro e, embora ainda seja cedo para avaliar completamente seu desempenho, o feedback inicial indica uma fase de transição para se tornar mais representativo localmente. O crescimento, contudo, tem sido constante.
Para o plano de marketing, o Hinge tem focado na economia de criadores, selecionando cerca de 50 influenciadores em São Paulo e Rio. A estratégia não busca celebridades, mas sim criadores que compartilhem valores alinhados à intencionalidade dos relacionamentos e que estejam genuinamente solteiros.
“Queremos mostrar a jornada real, imperfeita, com atritos — diferente das narrativas idealizadas da cultura pop”, explicou Jantos sobre a abordagem, que prevê o compartilhamento de experiências autênticas dos criadores com o aplicativo.

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